Aplicada em pequenas propriedades, sem a necessidade de preparar o solo para o plantio, nem usar máquinas e implementos agrícolas para produzir hortaliças de qualidade, o cultivo hidropônico vem sendo difundido em diversas regiões do país. Neste sistema, também conhecido como hidroponia, as plantas se desenvolvem numa rede de tubulações e são alimentadas por uma solução nutritiva diluída em água, que também pode fazer germinar frutas, flores, cereais e outras plantas.
Com base na eficiência desta tecnologia, há mais de seis meses o Campus II da Universidade Estadual da Paraíba, instaladoem Lagoa Seca, vem utilizando a hidroponia no cultivo de verduras, sendo a alface a “hortaliça teste”, produzida nas variedades Sophia, Mila, Mimosa, Lavínia, Elisa, Vera e Regiane. As denominações podem até não ser bem conhecidas da população paraibana, mas já trazem cor e energia aos pratos de várias famílias da localidade.
A idéia vem sendo desenvolvida pelo professor e chefe de departamento Cláudio Soares, ligado ao Departamento de Agroecologia e Agropecuária do Campus II. O trabalho faz parte de uma pesquisa advinda de projeto “Produção de Alfaceem Sistema Hidropônicoe Convencional”, do Programa de Incentivo à Pós-Graduação e Pesquisa (PROPESQ/UEPB) e que também foi aprovado no edital do Programa de Apoio a Projetos de Extensão (PROAPEX/UEPB). “Com algumas modificações, também poderá se tornar um projeto de extensão, pois serão oferecidos cursos nesta modalidade, disponíveis aos alunos do curso técnico em Agropecuária e Agroecologia, bem como a qualquer produtor rural que tenha interesse”, disse o professor Cláudio.
Com o envolvimento inicial de um grupo de oito alunos do curso de Agroecologia – do qual metade já se formou neste ano e não permanece na pesquisa – a equipe já comemora a primeira safra, que vem rendendo cerca de 860 plantas. Parte delas é coletada para obtenção de dados, após serem completamente secas em estufa. O restante é cedido aos alunos para que seja comercializado. Segundo o professor, o valor arrecadado é utilizado para complementar gastos com viagens para divulgação dos resultados da pesquisa nos futuros congressos. O primeiro deles, o Congresso Brasileiro de Olericultura, já tem data marcada e acontecerá em julho de 2013.
Segundo Cláudio Soares, a UEPB forneceu um incentivo financeiro, que possibilitou o pontapé inicial das pesquisas, e seguiu com o entusiasmo dos estudantes envolvidos, além dos benefícios inegáveis que o trabalho pode conferir à região. “Vejo a hidroponia como uma alternativa extra ao produtor rural, pois neste sistema ele vai encontrar muitas vantagens, como a possibilidade de produção durante o ano inteiro, a atração de mão de obra familiar, baixíssimo consumo de água (cerca de 90% a menos que nos demais sistemas de cultivo no campo) e a obtenção de um produto com grande qualidade e uniformidade, de retorno relativamente rápido”.
O baixo consumo de água se deve ao original sistema de cultivo, através do qual uma bomba faz o transporte da água – adicionada de solução balanceada de nutrientes – entre recipientes (caixas) e canais de cultivo (canos). “Como estes canais estão dispostos a certa declividade, a solução aquosa retorna à caixa e, novamente, sobe através da bomba para os canais. Ou seja, fica circulando no próprio sistema”, explicou o pesquisador. Assim, não há desperdício, apenas reutilização da água.
As pesquisas de hidroponia começaram a ser desenvolvidas na disciplina de Olericultura, um ramo da horticultura que abrange a exploração de várias hortaliças e que engloba culturas folhosas, raízes, bulbos, tubérculos e frutos diversos. De acordo com Cláudio Soares, após o cultivo de alface, o próximo passo serão as pesquisas com tomate ou pimentão.
Homenagens marcam
as comemorações 50 anos de criação da Escola Agrícola Assis Chateaubriand
9 nov 2012
Lágrimas, emoção, encontros e
reencontros. Personagens inesquecíveis de uma história de luta, de sonhos,
desafios e realizações construídas ao longo de 50 anos. Foi nesse clima que
professores, ex-professores, diretores, coordenadores de curso, técnicos e
estudantes celebraram os 50 anos de criação da Escola Agrícola Assis
Chateaubriand (EAAC), instalada no Campus II, em Lagoa Seca.
A solenidade, que também marcou o
enceramento 6ª edição do Encontro Regional de Técnicos Agrícolas (6ª ERTA), foi
realizada na manhã desta sexta-feira (9), no auditório da escola. Durante o
evento, foram prestadas homenagens a atuais professores e antigos profissionais
que deram a contribuição para que a escola se tornasse referência na formação
de técnicos agrícolas da Paraíba.
O passado e o presente ocuparam o
mesmo espaço na celebração de cinco décadas de uma história de luta,
resistência e realizações. Várias homenagens marcaram as comemorações dos 50
anos de criação da Escola Agrícola Assis Chateaubriand. Professores antigos,
fundadores do curso e ex-diretores foram homenageados com o “Título de Gratidão”
entregue pela atual geração de professores.
Símbolo da EAAC, o professor
aposentado Joaquim Vitoriano Pereira, era um dos mais emocionados. Ele
representou todos os diretores que passaram pela Escola. Um dos fundadores do
curso técnico de agropecuário, Joaquim foi o responsável por realizar o sonho
de centenas de jovens. Emocionado, ele contou que chegou a Paraíba em 1969
vindo de Sousa, no Sertão da Paraíba, fugindo da seca.
Veio a pé, tangendo burro. A viagem
durou 10 dias. Foi estudante na escola de Bananeiras e depois foi estudar na
Escola Agrícola de Lagoa Seca que, na época, era apenas um ginásio que formava
mestre agrícola. Voltando no tempo, ele lembrou que, nos primórdios de sua
história, a escola era pobre, não dispunha de recursos e sobrevivia graças a
boa vontade de seus funcionários.
Foram homenageados,
ainda, o professor Eduardo Pinheiro, que representou todos os professores que
passaram pelo educandário; Cosme Faustino, que representou todos os técnicos
administrativos; e Neusa dos Anjos, que trabalha na EAAC há 38 anos e
representou todos os técnicos agrícolas.
Retrato vivo da Escola, o aposentado
Domingo Antônio dos Anjos também foi lembrado na solenidade. Aos 93 anos, o
agricultor viu a escola nascer. O terreno dele foi cedido a UEPB para a
construção do educandário.
Após os discursos foram prestadas
homenagens a antigos professores e ex-diretores da Escola. No final, em meio ao
clima festivo, todos cortaram o bolo comemorativo dos 50 anos, cantaram
parabéns e se confraternizaram. A Escola Agrícola Assis Chateaubriand foi
fundada no dia 20 de outubro de 1962.
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